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Coisas essenciais: lembrar Sá Carneiro e Amaro da Costa

Terça-feira, 30.11.10

 

No próximo sábado, dia 4, irá celebrar-se uma missa em memória dos 30 anos da morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa, na Basílica da Estrela, às 17,00.

Esta é uma oportunidade única de prestar homenagem a duas referências nacionais: de visão política, de ética, de valores.

Lembrar que houve um tempo em que havia políticos assim, que colocavam os interesses nacionais à frente de vantagens pessoais, que geriam a sua estratégia política pelo que seria mais benéfico para o país e não em função de um calculismo limitado.

Para que as gerações futuras os conheçam também, e se orgulhem de exemplos assim, para que perdurem na nossa memória colectiva como marcos vivos de um tempo histórico, mas também como fontes de inspiração para novos caminhos.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:08

As vozes estruturantes: sociedade civil, Igreja e CDS. Só falta mesmo um Presidente

Sábado, 27.11.10

 

As vozes estruturantes são aquelas que promovem a coesão social, o sentimento de pertença a uma comunidade onde ninguém é excluído, e que estão atentas às necessidades dos mais desfavorecidos.

São as vozes estruturantes que têm garantido a paz social, evitando rupturas e fracturas. E que têm atenuado o maior desespero de todos: a fome.

Aqui não me refiro, evidentemente, às vozes teatrais, visitas programadas, palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente. Refiro-me a atitudes concretas, gestos, trabalho sistemático e diário, esforço, tempo, dedicação.

 

Portanto, só podemos aqui considerar como verdadeiramente estruturantes, as seguintes vozes:

 

- a sociedade civil: é aqui que a dinâmica da solidariedade se tem expandido mais, em inúmeras iniciativas (associações e organizações, grupos de voluntários, etc.), no apoio aos mais vulneráveis (sem-abrigo, pobres, novos-pobres, crianças, idosos, portadores de deficiência, etc.) nas mais variadas áreas (abrigo, refeições, agasalhos, saúde, companhia, etc.); não esquecer também iniciativas concretas de alguns municípios, tendo sido a mais recente e mediática a de Rui Rio, que irá manter as cantinas de algumas escolas abertas nas férias do Natal, com a possibilidade de vir a repetir a iniciativa nas seguintes (se isto não foi uma estalada sonora, daquelas dos filmes do John Wayne, no governo e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI, o que foi?);

 

- a Igreja: também tem tido um papel fundamental, em estreita colaboração com a sociedade civil. Além de alertar para a consciência cristã, tem garantido, através das Misericórdias, muito do apoio atrás referido. Intervenção activa indispensável para evitar as tais fracturas, rupturas e desespero das populações mais carenciadas. A resposta do governo socialista tem sido a dos tais cortes orçamentais, e não apenas nas Misericórdias mas nos estabelecimentos de ensino (a falta de visão deste governo socialista chega a ser histórica). Recentemente, vendo-se na iminência de ter de fechar algumas valências por falta de recursos, a Igreja tem apelado à solidariedade cristã e, concretamente, à partilha da própria mensalidade dos padres (outra estalada sonora à John Wayne no governo socialista e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI);

 

- o CDS: o único partido com assento parlamentar que tem apresentado sistematicamente medidas alternativas eficazes, que permitam crescimento económico e emprego (política fiscal, incentivos às pequenas e médias empresas), que defendam as áreas-chave da economia do país (agricultura, pescas, etc.), que protejam os mais desfavorecidos (actualização das pensões de reforma mais baixas, manter o abono de família, etc.), que permitam um equilíbrio social e a coesão social.

 

Porque não considerei o PSD? Será preciso apresentar aqui as razões? Estão todas à vista e ainda bem, sim, ainda bem, que o povinho teve a possibilidade de ver com os seus próprios olhinhos a verdadeira e inequívoca natureza do PSD que, por "patriotismo" aceitou os PECs e este OE 2011 miserabilistas e imorais, nem se preocupando com a redução drástica da despesa estatal. Finalmente, ficou visível a sua cultura corporativa. Bom proveito.

O BE? Que recentemente votou pelo TGV, o tal investimento público para reanimar a economia? E que promove greves gerais que só reforçam a cultura corporativa? Já repararam que o BE podia ser resumido nesta frase: "muita conversa, poucos resultados?"

O PCP: idem aspas aspas.

 

São, pois, estas as vozes estruturantes: a sociedade civil, a Igreja e o CDS.

 

Podem perguntar-me: e o Presidente? Não tem sido uma voz que promove a unidade, a estabilidade e a coesão social? Palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente, não iniciativas concretas e gestos inequívocos, reveladores de uma consciência social.

 

Aceite a desilusão de ter perdido um país para sempre - o "país antigo" dos valores comunitários e da cultura da amabilidade -, ainda assim posso sonhar com um país "regenerado" ou "restaurado".

Não adiro, pois, ao conformismo generalizado de que não há uma possibilidade, uma única, de ver um Presidente que seja uma voz estruturante.

 

Aqui defini o perfil ideal de Presidente da República e procurei perceber porque é que a direita ficou sem Presidente.

Reparem bem neste perfil, procurem melhorá-lo, pode faltar lá alguma qualidade que terei esquecido. Uma liderança que garanta estabilidade, mas que saiba antecipar e não apenas reagir, que tenha uma visão de país preparado para os desafios do séc. XXI.

Quem se aproxima mais deste perfil?

Reparem também num simples pormenor: a experiência presidencial do candidato não é a condição mais importante. Tendo o perfil adequado, aprenderá depressa. Além disso, tem os Conselheiros e todo um staff protocolar. Mais importante é o perfil adequado.

 

Aqui também analisei as diversas candidaturas:

~ o fenómeno irrepetível Alegre-2006, que foi um equívoco;

- a candidatura de Fernando Nobre, que nasceu também de um equívoco (um desafio de um ex-Presidente que não quis ver Alegre brilhar, como se isso se fosse repetir), mas que pode vir a tornar-se no novo fenómeno, nesta fase em que a pobreza se tornou visível e urgente;

- e uma recandidatura já anunciada, festejada e glorificada (com a aprovação do miserabilista OE 2011 e o adiamento da intervenção do FMI), antes mesmo das eleições presidenciais em finais de Janeiro. É esta a dimensão da soberba e do paternalismo da cultura corporativa.

 

Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015: Quando releio este tipo de posts por mim escritos há anos, fico completamente arrepiada. Será possível que eu tenha pensado assim? Vozes estruturantes?

A Igreja já não é a do D. Eurico Dias Nogueira nem a do D. Manuel Martins dos anos 90. Graças a Deus há o Papa.

O CDS nunca foi democrata nem cristão.

E não votei no Presidente que a direita escolheu.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:16

Definam-me, por favor, "adaptação", "especificidades" e "excepção"

Sexta-feira, 26.11.10

 

Glup! O governo deve pensar que somos muito mas mesmo muito estúpidos! "Adaptação às especificidades" não é abrir "excepções"? Definam-me, por favor, "adaptação", especificidades" e "excepção".

Se não são excepções, porque não se procede da mesma forma para todos os cortes? Também vão "adaptar" o corte do abono de família às "especificidades" familiares (famílias de fracos recursos, famílias numerosas, etc.)?

É que além de procederem de forma francamente imoral, ainda continuam a mentir descaradamente.

E, no entanto, numa democracia de qualidade, os cidadãos deveriam ter acesso aos dados concretos: onde e a quantos, vão abrir excepções? Quanto custarão essas excepções aos contribuintes?

E não apenas estes dados, muitos outros dados a que não se tem acesso.

 

Mas a novilíngua socialista tem outros termos. Repare-se, a propósito da continha da EDP: os "custos de interesse geral" são os tais onde se metem as energias renováveis (investimento forçado do contribuinte numas empresas que operam de forma corporativa no mercado), algumas taxas municipais, etc. Estes custos, na novilíngua, são considerados "adequados". Adequados para quem? Para os lucros de uma empresa que opera no mercado como monopólio? E, novamente, não deve o cidadão-contribuinte-accionista forçado dessas empresas corporativas e da outra, um monopólio, ter acesso à conta corrente? Deve.

Ah, e não esquecer a famigerada taxa audiovisual para sustentar a inutilidade pública da RTP e afins (rádio pública).

Já está a decorrer uma Petição no sentido de "adaptar" a continha da EDP ao bolsinho do contribuinte na "especificidade" conjuntural de país falido.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:33

Greve é um instrumento da cultura corporativa

Quarta-feira, 24.11.10

 

Nota prévia de esclarecimento: entretanto actualizei a minha perspectiva das greves reconhecendo tratar-se de um dos mecanismos democráticos ao dispor dos cidadãos, embora como último recurso:

 

 

 

 

Quando é que nos transformámos num povo conformista e amorfo, que só acusa o toque quando lhe pisam os calos? Exactamente à semelhança das elites actuais?

 

Paulo Portas foi o único a lembrar esta coisa essencial e muito simples, os que não podem fazer greve: os desempregados, os que ganham demasiado pouco e os reformados. Exactamente, os que não têm influência de contestação, os mais vulneráveis.

Quem se lembra deles? Dos inactivos forçados, a quem acabaram há muito com o posto de trabalho, os que ficaram em vigílias nocturnas à porta da empresa, os que continuaram a trabalhar para manter uma empresa falida? Ou sequer dos que mal ganham o suficiente para sobreviver, os que duplicam trabalhos para sustentar a família, e não se podem dar ao luxo de parar um dia? Ou dos reformados com baixas pensões? Alguém quer saber deles?

 

Podem dizer-me: as centrais sindicais referem estas questões na listazinha das causas da greve, mas nada disso faz sentido, é perfeitamente inconsequente. Os partidos de esquerda que a apoiaram andaram até bem recentemente a pedir mais investimento público para reanimar a economia (!). Nem se importaram muito com a dívida a disparar, desde que esse investimento público estivesse garantido. E nem se preocuparam em ver o crédito escassear para as empresas empregadoras, as pequenas e médias, as privadas.

 

Mas o que mais me impressiona aqui é o próprio povo que adere à greve. A greve é um instrumento da cultura corporativa. Não tem eficácia, a não ser a de parar um país por um dia. E só reforça os argumentos de quem querem penalizar ou intimidar: o governo.

Aí é que está a questão essencial: então votaram no partido de um governo que fez tudo ao contrário, que colocou muitos dos seus conterrâneos no desemprego e na pobreza, e só param de pedalar quando lhes tocam no seu bolso? E logo na altura em que já não há qualquer margem de manobra para parar de pedalar?

Que povo é este que não tem a noção do colectivo, da comunidade geral? Que não pára para pensar e reflectir, que não desconfia da narrativa oficial, que não se comove com a situação precária de tantos dos seus próximos? O que debitam são palavras vazias e gestos inconsequentes, essa é a sua especialidade.

O direito à indignação é quando se vota, porque actualmente é o único poder que lhes é reservado, o de eleitores. Já lhes retiraram todos os outros. De resto, é em atitudes construtivas e criativas, participando activamente, inventando estratégias de intervenção inteligentes.

 

Finalmente: neste dia de greve geral, o PS parece que aprendeu duas palavras novas: "especificidade" e "adaptação". Foi assim que tentaram explicar aos jornalistas o regime excepcional de cortes salariais para determinados lugares estratégicos (entenda-se, políticos). No Jornal da Noite da Sic Notícias, Mário Crespo conseguiu o seu momento zen ao verbalizar aos convidados do bloco central: os senhores são co-responsáveis disto. E ainda conseguiu obter uma explicaçãozinha matreira do PSD, que utilizou outras palavras para se explicar. Mário Crespo insistiu: Acredita que isso poderia mesmo suceder? (A fuga para o privado de tais cérebros fabulosos). Acredito, respondeu o PSD. Estamos esclarecidos.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:28

Definam-me, por favor, "magistratura activa"

Quarta-feira, 24.11.10

 

A blogosfera nacional está em alta tensão, refiro-me à política. A campanha presidencial sobrepõe-se agora à "inacção presidencial". Não pude, pois, deixar de ficar surpreendida com esta promessa presidencial, no arranque da sua campanha, na universidade católica: A minha próxima magistratura irá ser uma magistratura activa.

 

Percebi bem? O Presidente não percebeu o paradoxo? Então, esta que está a findar, foi passiva porquê? Então, as suas explicações para justificar a sua incapacidade ou impossibilidade de agir, não caem por terra? Há por aí uma alminha caridosa que me possa esclarecer? Definam-me, por favor, "magistratura activa".

 

E os universitários assimilaram os argumentos justificativos sobre a cooperação estratégica? E sobre a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo? O que é que os universitários terão pensado de tanta justificação presidencial? Gostava de saber...

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:32

Perspectivas da blogosfera

Sexta-feira, 12.11.10

 

Li há dias um post n' O Insurgente, de André Azevedo Alves, O Estado da blogosfera. Remete-nos para um dos sites que analisa dados, baseados nos seus próprios contadores e em inquéritos a bloggers.

 

Contrariamente ao que se poderia pensar, a blogosfera mantém-se animada e vai-se arrumando em quatro grandes tipos de bloggers (que vou colocar aqui por ordem decrescente):

- voluntariosos (hobbyists): a maior parte dos actuais bloggers (64%) fá-lo sem qualquer objectivo de retorno financeiro e mede o sucesso do blogue pela sua satisfação pessoal;

- profissionais (self-employeds): o blogue serve a sua própria empresa ou organização (21%). Destes, 57% utilizam o blogue para divulgar o seu trabalho e, para 19%, o blogue é o próprio negócio;

-  em tempo parcial (part-timers): o blogue é um complemento do seu rendimento financeiro (13%);

- corporativos (corporates): o blogue funciona a full-time para uma organização (1%).

 

A maioria dos bloggers parece ver na blogosfera a possibilidade e as vantagens da partilha: do conhecimento, informação, experiências, vivências, etc. Nesse sentido, é um fenómeno típico do séc. XXI. E, nesse sentido também, as suas perspectivas são ainda interessantes.

Os profissionais também têm na blogosfera uma oportunidade com boas perspectivas, sobretudo se o blogue estiver ligado a redes sociais, e essa é a tendência.

 

Um dado interessante: com os micro-blogues e a cada vez maior utilização do mobile-phone, os bloggers confirmaram uma alteração na própria forma dos posts, mais sintéticos e mais impulsivos. É o tempo sincopado do séc. XXI. À velocidade de um clic.

 

Outro dado interessante: segundo percebi, 40% dos consumidores, isto é, os leitores, referem confiar mais na informação obtida em blogues do que na da imprensa e dos outros meios de comunicação.

 

 

 

Há uns tempos já, procurei definir a blogosfera nacional, delimitando alguns tipos, mas apenas baseada nas minhas navegações internáuticas. Tratou-se apenas de uma tentativa de perceber o fenómeno: Quem tem medo da blogosfera?, Quem tem medo da blogosfera? (cont) e Quem tem medo da blogosfera? (conclusão?).

Também já aqui me dediquei à sua análise: A importância da blogosfera.

E, na Farmácia Central, comparei-a ao Facebook: A blogosfera está para a comunicação como o Facebook está para a acção.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:49








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